
Eu pensei ter te superado, mas só pensei. Hoje no comecinho da tarde eu me sentei na cama e fiquei pensando em como as coisas haviam mudado depois que eu construí um muro em volta do meu coração. Não que eu tenha me isolado do mundo. Eu só havia resolvido que você não entraria nele. Comecei a lembrar das tardes que eu escrevia cartas com o seu nome no topo da folha. Cartas essas que nunca chegavam às suas mãos. Tomei a decisão de relê-las. Considero esse ato como um grande avanço, já que a muito tempo eu ando evitando olhar, tocar ou sentir coisas que me lembrem você. Respirei fundo algumas vezes antes de abrir a gaveta. Lá estavam elas… As provas de um amor platônico-sofrido, ou melhor dizendo, lá estavam as cartas que lhe escrevi. Senti como se no meu coração o muro estivesse se derrubando. Esse acontecimento me provou que eu não havia o superado. Fui tola em achar que seria fácil amolecer um sentimento que já havia se tornado maior que eu. Li cada linha, cada palavra, cada amor que explodia daquelas frases. Desde a primeira carta, escrita no dia dezessete de dezembro do ano passado - o início do meu afogamento em um sentimento que eu jamais havia sentindo. Até a, dita, última, do dia vinte e quatro de julho deste ano - o dia em que eu me livrei de você… Bem tentei… Não consegui livrar-me. Nesse exato momento meu coração aperta, ele fica pequenininho para combinar com a porcentagem de chances que eu tenho de te esquecer. Eu chorei ao lembrar que eu não havia nenhum momento para chamar de “nossos doces dias”, eu não tinha como lembrar da sua mão nas minhas, porque nunca te toquei. Eu não tinha nada seu para chamar de meu… Na verdade só lembranças quebradas, pois elas nem se quer tinham você. Somente vinha na minha mente os momentos que dediquei à ti.
Eu não te esqueci, e estou aqui, fazendo o retorno, voltando ao início, voltando àqueles momentos em que você era tudo. Estou voltando a lhe escrever cartas.
Com carinho, aquela que, se você deixasse, cuidaria de você dia e noite.
Destinatário: Ao bom, velho e que me torna masoquista, amor platônico
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