segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Na mão esquerda, Jeniffer segurava uma garrafa de vodka. Na direita, levava a ignorância, que era sua melhor amiga desde que todos a deixaram. Pode até ser considerada pobre menina por ter sido condenada à solidão, mas na verdade, pobre coitado mesmo é quem cruza seu caminho. Suas palavras saem de sua boca como facas, seus maus tratos aos outros são como álcool para ferida aberta. Quem a conheceu vê como mudou, e com certeza gostariam de ter a boa Jenni de volta. Aquela menina doce que tinha toque de fada e olhar de criança levada havia perdido a inocência no momento em que a vingança lhe deu a mão, tudo que queria era dar o troco em quem a fez sentir-se menor. Agora andava sozinha pela ruela escura como se fosse rato de rua. Jeans gastado, maquiagem borrada, blusa amarrotada... Pobre menina, onde se enfiou? Deixou que os maus sentimentos perdurassem e se afundou na maré da ignorância, tornou-se mulher de palavras curtas, de coração gélido. Desfez-se do amor, desfez-se da bondade. Ela tem consciência de que ao pódio onde se encontra não tem nada para acrescentar-lhe, e mesmo assim ela gosta do maltrato como quem faz promessas aos pecados. Seu perfume que cheirava a inocência agora trazia um odor de cigarro. Que futuro teria Jeniffer? A resposta não era do conhecimento de ninguém... Não mais. Seu futuro promissor havia sido jogado no lixo, sem piedade. A única coisa que eu desejo, é que ela encontre alguém que ame de verdade e que a desarme. Espero que suas armaduras caiam, e ela se desabe em lágrimas – pondo para fora todas essas mágoas guardadas, pondo para fora todas as mentiras que a compõem agora. E que deixe a água lavar, e que deixe o vento levar.

Que ela tropece no amor um dia que estiver andando nessas ruelas.

[...]

- Moça, está escorrendo angústia de suas palavras.

- É sempre assim.

- E por quê?

- Falta amor. Falta muito amor, e conseqüentemente falta alguém.

- Porque cobras amor se tu não o tens? Antes de pedi-lo tu tens que distribuí-lo. Sejas amorosa com a vida e ela retribuirá.

- Dá-me um motivo para suicido como tal dito, moço. Dei amor demais, decepcionei-me. Quantas vezes eu fiz tudo por alguém e esse alguém não fez por mim? Eu sou o resultado de uma mulher que foi muito magoada. Ah, como sofri. Agora opto pela ignorância, é prática e rápida. Evito mágoas da minha parte.

- Acertaste. Evitas apenas da tua parte.

- É o que me importa.

- Mergulhaste no egoísmo... Não sinto pena de ti, mas sim de quem lhe esbarrar. Estou grato por ter me poupado de qualquer insulto. Estou à retirar-me. “Que tropece no amor” quando estiver no auge da sua falsa glória solitária. Adeus.

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