
Fazia-se escrava de si mesma. Agarrada às mesmas dores. Apegada aos mesmos maus amores. Acostumada com a mesma rotina. Apoiada nos mesmos ombros. E sem razão, cobrava surpreendimento do destino. Mas seus olhos, agora, foram abertos, e seu espírito finalmente liberto. Aprendeu, amadureceu, mas ainda não cresceu. Continua sendo a pequena de seus pais, a mais baixinha entre os amigos. Em outro contexto, ela é gigante, tem um coração enorme, um colo que cabe a todos, só perdendo pro colo de mãe. Aprendeu que para ganhar abraços deve-se abraçar. Aprendeu que deve-se viver o hoje. Conseqüências? Ela as deixa construir o futuro. As boas não conta vantagem, aquieta e agradece a Ele em silêncio. As ruins, ela destrói, constrói, conserta, tira, puxa, coloca e desloca. Ninguém a entende, mas ela tenta converte-las em algo bom. Nada é um mar de rosas, ela chora, nos cantos, mas já aprendeu que isso não é um erro, é uma necessidade. Precisa colocar tudo para fora, para dar espaços aos sorrisos. Porque, como já lhe contaram: quem plantou chorando, vai colher sorrindo. Então a pequena-gigante já aprendeu que haverão quedas, mas para todas elas haverão vitórias. Haverão dias sem luz, mas para cada um deles haverão anos iluminados. Haverão laços de convertendo em nós, mas para cada enforcamento, haverá a sensação de liberdade. Ninguém veio somente para sofrer, e foi entre tombos e glórias que aprendeu. E descobriu que enviar cartas de exigências ao destino não mudam nada. Ela mesma deve reciclar seus sentimentos, purificar sua alma e fazer acontecer. Muita coisa ruim havia acontecido, e mesmo assim, lucrou. Ganhou experiência. Estaria forte, a partir de agora pra suportar qualquer dor, e nada mais a abalaria. Agora só falta crescer em comprimento, mas para ela, e para quem a rodeia, o tamanho do coração, já basta. Passeia cantando, sorrindo. Reencontrando seus pedaços e remontando-se. Está feliz plenamente, finalmente, novamente.


